Página dedicada a David de Souza - violoncelista, maestro e compositor // Page dedicated to David de Souza - Portuguese cellist, conductor and composer
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segunda-feira, 25 de agosto de 2025
David de Souza - Entrevista de António Ferreira ao programa "Postal da Grande Guerra" de Sílvia Alves - RTP 2
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sábado, 16 de maio de 2020
David de Souza (1880-1918) - English Biography
David de Souza was born on 6th May 1880
in Figueira da Foz. He did his musical studies in the Lisbon National
Conservatory, where he studied violoncello under Eduardo Wagner and Cunha e Silva
and musical theory under Freitas Gazul.
In 1904, having been awarded a scholarship
by the Portuguese state, he went to Germany where, in the Leipzig Conservatory,
he studied with one of the most famous violoncellists of the time: Julius
Klengel.
Once back in Portugal, David de Souza made his début as a conductor in
1913 in a concert in the Portuguese National Theatre. Shortly afterwards, he
was engaged as Principal Conductor of the Lisbon Symphony Orchestra, formed at
that time and based in the Politiema Theatre.
With a passionate temperament, natural
gifts and a great power of communication with the public, David de Souza
conquered a vast audience and had a myriad of admirers. From his enormous repertoire
there stand out the innumerable modern compositions he interpreted for the
first time in Portugal, as for example: the second Symphony by Vincent D’Indy,
the “Valses Nobles et Sentimentales” by
Maurice Ravel and the Symphonic Poem “After
a reading of Antero de Quental” by Luís de Freitas Branco. Passionate for
Russian music, he also interpreted innumerable works by composers from that
country for the first time to the Portuguese public.
In 1916 the National Conservatory appointed
David de Souza as their violoncello teacher and teacher of their orchestra,
while at the same time retaining the position of Principal Conductor of the Lisbon
Symphony Orchestra.
In his works, eminently
nationalistic, appear compositions for the piano, for voice and piano, for violin
and piano and for violoncello and piano, apart from a good number of orchestral
works like: the “Slavic Rhapsody” or
the Symphonic Poem “Babilónia”. David
de Souza also wrote an opera that has never been performed: “Inês de Castro.”
David de Souza died on 3rd October
1918 in Figueira da Foz, a victim of pneumonic fever.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Serenata - David de Souza
Ana Leonor Pereira - soprano
António Ferreira - piano
(do CD "Tout près de mon coeur")
Pianto - David de Souza
Ana Leonor Pereira - soprano
António Ferreira - piano
(do CD "Tout près de mon coeur")
domingo, 18 de julho de 2010
Tout près de mon coeur - David de Souza
Ana Leonor Pereira - soprano
António Ferreira - piano
(do CD "Tout près de mon coeur")
4 Notas sobre David de Souza por José Pires Lopes de Azevedo (1923-2007) (professor, escritor)
I – Evocando David de Souza (1)
Figueirense até à morte, David de Souza foi uma estrela cadente na música portuguesa: brilhante, como qualquer estrela cadente; e, como qualquer estrela cadente, fugaz também.
Tudo quanto na vida lhe aconteceu, passou-se nos breves 38 anos da sua existência. Mas o que nesse curto prazo lhe aconteceu, mesmo à escala mundial, foi imponente.
Excepcionalmente dotado, aos 9 anos inicia-se no solfejo e no canto na Escola da Sé Patriarcal em Lisboa, e aos 20 tem já o curso de violoncelo, com prémios, do Conservatório Real de Lisboa.
Parte então para a Europa, para apurar a sua arte. Assim, entre 1904 e 1908, vive em Leipzig: primeiro continuando os estudos particulares de violoncelo; e depois, como aluno do Real Conservatório de Música daquela cidade, de onde sai elogiado pela conduta, assiduidade, talento, aptidão e inteligência musical que revelara, e que lhe conquistaram prémios como executante, compositor e regente.
Entre 1908 e 1910, sem nunca perder contacto com Leipzig, aparece como violoncelista de orquestra em Inglaterra, na Áustria Imperial e na Rússia. No mundo dos czares, figura na Orquestra de Concertos Históricos de Moscovo, onde é solista e onde chega a segundo regente. Data desse tempo o seu primeiro êxito como compositor: a célebre “Rapsódia Eslava”.
Em 1911, volta à Inglaterra para actuar em Londres, onde torna mais tarde, como solista e maestro, pelo menos em 1914 e 1917. A partir de 1913, porém, é na pátria que procura realizar-se.
Começa a 6 de Julho, com um recital de violoncelo no Conservatório que o formara. Mas, fiel à terra natal, é na Figueira da Foz que dá o seu primeiro concerto público a 29 de Setembro no Ginásio Clube Figueirense.
Nota curiosa foi que, para além da figura mestra de David de Souza e do pianista Tomaz de Lima, no espectáculo intervieram dois figueirenses mais, ainda bastante vivos na memória de muitos: Augusto Pinto, o jornalista, e Ernesto Tomé, o homem dos arrojados empreendimentos turísticos.
E à Figueira voltou David de Souza, por exemplo, em 1917, a este mesmo Grande Casino Peninsular e ao então Casino Oceano, essa pobre ruína de um brilhante passado, que em homenagem à estética do lugar e ao património cultural figueirense, urge restaurar condignamente.
Lisboa, porém, é o meio natural para David de Souza viver.
E assim, depois de se estrear como director de orquestra a 19 de Outubro de 1913 no Teatro Nacional, logo a partir de 7 de Dezembro seguinte inicia os concertos sinfónicos do Teatro Politeama, que deram brado, animando a vida musical lisboeta por quase 5 anos, 5 anos de êxito em êxito, numa intensa vida de labor e competição.
No entanto, a 3 de Maio de 1918, dá o seu derradeiro concerto. Derradeiro, porque abruptamente, a morte o ceifou!
Fugindo à pneumónica, vem para a Figueira, a férias; mas não logra escapar ao mal que vitimou milhares de pessoas, aqui também.
Entre 2 e 3 de Outubro, entra em agonia. No transe, apenas o acompanha um rapazote que toda a noite sozinho vela o moribundo e lhe assiste ao fim. E é vivo ainda, felizmente, esse rapaz de então, a quem tantos de nós devemos simpatia, se não mesmo ajuda concreta. É vivo: chama-se Severo Biscaia e hoje sofre, porventura, uma das noites mais negras da sua existência já longa… (2)
Em David de Souza, a música perdia o seu maior vulto figueirense, e um dos maiores vultos nacionais: além de violoncelista e compositor de grande promessa, que a morte gorou, foi também um notável professor de música e maestro excepcional.
(1) O presente texto, agora melhorado, foi lido na festa de homenagem às professoras de música Camolino de Sousa, realizada no Grande Casino Peninsular, na noite de 21 de Setembro de 1979. Depois, a 30 do mesmo mês, publicou-se no semanário local “O Figueirense”.
Figueirense até à morte, David de Souza foi uma estrela cadente na música portuguesa: brilhante, como qualquer estrela cadente; e, como qualquer estrela cadente, fugaz também.
Tudo quanto na vida lhe aconteceu, passou-se nos breves 38 anos da sua existência. Mas o que nesse curto prazo lhe aconteceu, mesmo à escala mundial, foi imponente.
Excepcionalmente dotado, aos 9 anos inicia-se no solfejo e no canto na Escola da Sé Patriarcal em Lisboa, e aos 20 tem já o curso de violoncelo, com prémios, do Conservatório Real de Lisboa.
Parte então para a Europa, para apurar a sua arte. Assim, entre 1904 e 1908, vive em Leipzig: primeiro continuando os estudos particulares de violoncelo; e depois, como aluno do Real Conservatório de Música daquela cidade, de onde sai elogiado pela conduta, assiduidade, talento, aptidão e inteligência musical que revelara, e que lhe conquistaram prémios como executante, compositor e regente.
Entre 1908 e 1910, sem nunca perder contacto com Leipzig, aparece como violoncelista de orquestra em Inglaterra, na Áustria Imperial e na Rússia. No mundo dos czares, figura na Orquestra de Concertos Históricos de Moscovo, onde é solista e onde chega a segundo regente. Data desse tempo o seu primeiro êxito como compositor: a célebre “Rapsódia Eslava”.
Em 1911, volta à Inglaterra para actuar em Londres, onde torna mais tarde, como solista e maestro, pelo menos em 1914 e 1917. A partir de 1913, porém, é na pátria que procura realizar-se.
Começa a 6 de Julho, com um recital de violoncelo no Conservatório que o formara. Mas, fiel à terra natal, é na Figueira da Foz que dá o seu primeiro concerto público a 29 de Setembro no Ginásio Clube Figueirense.
Nota curiosa foi que, para além da figura mestra de David de Souza e do pianista Tomaz de Lima, no espectáculo intervieram dois figueirenses mais, ainda bastante vivos na memória de muitos: Augusto Pinto, o jornalista, e Ernesto Tomé, o homem dos arrojados empreendimentos turísticos.
E à Figueira voltou David de Souza, por exemplo, em 1917, a este mesmo Grande Casino Peninsular e ao então Casino Oceano, essa pobre ruína de um brilhante passado, que em homenagem à estética do lugar e ao património cultural figueirense, urge restaurar condignamente.
Lisboa, porém, é o meio natural para David de Souza viver.
E assim, depois de se estrear como director de orquestra a 19 de Outubro de 1913 no Teatro Nacional, logo a partir de 7 de Dezembro seguinte inicia os concertos sinfónicos do Teatro Politeama, que deram brado, animando a vida musical lisboeta por quase 5 anos, 5 anos de êxito em êxito, numa intensa vida de labor e competição.
No entanto, a 3 de Maio de 1918, dá o seu derradeiro concerto. Derradeiro, porque abruptamente, a morte o ceifou!
Fugindo à pneumónica, vem para a Figueira, a férias; mas não logra escapar ao mal que vitimou milhares de pessoas, aqui também.
Entre 2 e 3 de Outubro, entra em agonia. No transe, apenas o acompanha um rapazote que toda a noite sozinho vela o moribundo e lhe assiste ao fim. E é vivo ainda, felizmente, esse rapaz de então, a quem tantos de nós devemos simpatia, se não mesmo ajuda concreta. É vivo: chama-se Severo Biscaia e hoje sofre, porventura, uma das noites mais negras da sua existência já longa… (2)
Em David de Souza, a música perdia o seu maior vulto figueirense, e um dos maiores vultos nacionais: além de violoncelista e compositor de grande promessa, que a morte gorou, foi também um notável professor de música e maestro excepcional.
(1) O presente texto, agora melhorado, foi lido na festa de homenagem às professoras de música Camolino de Sousa, realizada no Grande Casino Peninsular, na noite de 21 de Setembro de 1979. Depois, a 30 do mesmo mês, publicou-se no semanário local “O Figueirense”.
(2) Referência ao trágico acidente em que, na tarde dessa mesma noite festiva, perdeu a vida a esposa de Severo da Silva Biscaia.
4 Notas sobre David de Souza por José Pires Lopes de Azevedo (1923-2007) (professor, escritor)
II – Passos na vida de David de Souza (1)
Rua do Príncipe Real, ali “no aterro do cais novo”, segundo esclarecia o Almanaque da Praia da Figueira para o ano de 1878-79, hoje Rua da República; e Rua Bernardo Lopes, aqui no Bairro Novo: eis os limites geográficos da breve linha dos 38 anos da vida de David de Souza, que no primeiro nasceu, a 6 de Maio de 1880 e no segundo morreu, a 3 de Outubro de 1918. E, não obstante a proximidade espacial entre semelhantes extremos, bem errados andaríamos se nos aventurássemos a supor que a existência do músico artista se cumprira num tão escasso trajecto.
Nado e baptizado na Figueira da Foz a 23 de Maio de 1880 (figueirense como sua mãe, D. Maria Leonor Marques de Figueiredo, aqui casada quase 3 anos antes com Mariano Augusto dos Reis Souza, negociante oriundo de Alvor, lá do reino dos Algarves), cedo com a família David de Souza fixa residência em Lisboa, onde aos 9 anos se inicia no canto e na teoria da musical por mão do Mestre de Capela da Sé Patriarcal Augusto José de Carvalho.
Depois de diplomado e distinguido pelo Conservatório Real, onde entrara em 1895-96, parte para Leipzig em 1904, como pensionista do Estado, para se aperfeiçoar na sua arte, processo que se conclui a 10 de Abril de 1908, quando faz o seu 10º e último exame no Real Conservatório de Música de Leipzig, em provas públicas para director de orquestra e compositor.
Entretanto, não se limita a passar esses 4 anos na Alemanha, nem por lá permanece todos os que se lhe seguem, até regressar a Portugal. Assim, o seu primeiro concerto parece ter sido em Setembro de 1906 em Inglaterra (Cheltenham), onde volta no Outono imediato: desse tempo vi programas pelo menos de Bridlington, Hull e Leeds. Entrementes, a 8 de Março de 1907, adquire composições musicais em Moscovo. E depois, na época Primavera / Verão de 1908, após o êxito das suas provas finais em Leipzig, tenta a sorte musical em Londres, onde pretendia continuar, apurando-se e porventura, fazer um doutoramento.
A seguir, entre fins de 1908 e 1909 e sem nunca perder contacto com Leipzig, actuando só ou integrado em orquestra, viaja por Inglaterra. Em 1909, concertos em Horrogate e outra vez em Bridlington, na Áustria e na Rússia. Um dos borrões da ”Rapsódia Eslava” tem data de Ekaterinoslaw – 18 de Dezembro de 1908.
Dos seus passos entre 1911 e 1913, pouco alcancei: em Janeiro, Fevereiro e Maio de 1911, adquire partituras em Londres; um esboço de uma composição a que não deu nome, data-o novamente em Ekaterinoslaw a 2 de Janeiro de 1913; e em Março do mesmo ano compra músicas em Leipzig.
Se ao que fica dito se juntar uma ou outra fugaz vinda a Portugal para matar saudades da mãe, de quem sempre se mostrou filho extremoso ou para rever amigos e, quiçá, pugnar pelos seus direitos de bolseiro, contra oficiais do mesmo ofício e seus adversários activos, obviamente há-de concluir-se que, entre 1904 e 1913, a linha de existência de David de Souza foi cheia de sinuosidades, repartida por “franças e araganças” de grande parte da Europa.
Entretanto, a partir da segunda metade de 1913, é em Portugal que vem tentar a sua sorte, embora ainda a partir de aí se não feche para essa mesma Europa. Assim por exemplo, datado de 21 de Julho de 1913 e válido por um ano, o nosso cônsul-geral em Londres concede a David de Souza passaporte para a Rússia; e na verdade é que na “Musette”, esboço de uma composição própria, encontramos data de Agosto de 1913 e, sempre, de Ekaterinoslaw. Depois, na segunda quinzena de Setembro imediato, com duas horas de espera de ligações ferroviárias – de onde e para onde? – aproveita para de Paris, escrever um postalinho a sua mãe. Enfim, sabe-se que volta a actuar em Londres, ao menos em dois momentos mais: em 1914 e em 1917.
De qualquer modo, a partir daquele ano de 1913 assenta arraiais em Lisboa. Assim, depois do concerto de apresentação como violoncelista no Conservatório, realizado a 16 de Junho, e após uma curta digressão na província – o seu primeiro concerto público em Portugal dá-o aqui na Figueira, a 29 de Setembro – inicia a sua actividade como director de orquestra no Teatro Politeama no dia 7 de Dezembro, aí se mantendo em actividade em todas as épocas seguintes, com o último espectáculo a 3 de Maio de 1918. Além disso, a partir do ano lectivo de 1915-16, é também professor no Conservatório.
Entrementes, à província volta, por mais do que uma vez: Coimbra, Faro, Porto, Setúbal e Tavira, por exemplo, figuram no seu roteiro musical de então; e no Alentejo ou no Algarve, nas Beiras ou no Minho, recolhe apontamentos de música popular.
Naturalmente, a Figueira surge contemplada nessas digressões. A 24 de Setembro de 1914, por exemplo, uma carta informa-nos de que David de Souza então se acha instalado na Rua Bernardo Lopes, 66; e que, embora aborrecido pelo adiamento de um concerto projectado, ao amigo a quem escreve conta que “Tem chovido imenso, mas hoje está um dia lindíssimo”. E, a 11 de Setembro de 1917 no Grande Casino Peninsular, rege um concerto a favor da Assistência da Figueira às vítimas da guerra.
E é precisamente essa 1º Guerra Mundial que, á distância, vai matar ainda mais uns milhares de almas, até mesmo em Portugal. Não antecipemos porém.
A 19 de Agosto de 1918, em postal de Lisboa ao violinista Paulo Manso, conterrâneo e amigo, anuncia para o dia imediato a sua vinda para a Figueira, no comboio da noite, contando instalar-se no Hotel Mondego, que ficava entre a Rua 11 de Setembro e o cais, sensivelmente por esse lado fechando o actual Largo do Carvão. Mas, em Setembro imediato escrevendo a outro amigo, Alexandre Ferreira, sobre discussões em torno do contrato com o Politeama para a época de concertos que se avizinhava, já dá por morada o prédio nº 29 da Rua do Viso, aqui perto de mim, no Bairro Novo.
Entre a data da última carta referida – 20 de Setembro – e a da morte, tão próxima – 3 de Outubro – que voltas mais terá dado o artista? Terá ainda ido a Lisboa tratar pessoalmente com Luís António Pereira, o empresário, que o “intimara” a começar ensaios para a nova época do Politeama às 5 da tarde do último dia desse mês de Setembro? E por que se terá mudado da Rua do Viso para a casa onde veio a falecer, tão vizinhas uma da outra? Quem saberá?
Rua do Príncipe Real, ali “no aterro do cais novo”, segundo esclarecia o Almanaque da Praia da Figueira para o ano de 1878-79, hoje Rua da República; e Rua Bernardo Lopes, aqui no Bairro Novo: eis os limites geográficos da breve linha dos 38 anos da vida de David de Souza, que no primeiro nasceu, a 6 de Maio de 1880 e no segundo morreu, a 3 de Outubro de 1918. E, não obstante a proximidade espacial entre semelhantes extremos, bem errados andaríamos se nos aventurássemos a supor que a existência do músico artista se cumprira num tão escasso trajecto.
Nado e baptizado na Figueira da Foz a 23 de Maio de 1880 (figueirense como sua mãe, D. Maria Leonor Marques de Figueiredo, aqui casada quase 3 anos antes com Mariano Augusto dos Reis Souza, negociante oriundo de Alvor, lá do reino dos Algarves), cedo com a família David de Souza fixa residência em Lisboa, onde aos 9 anos se inicia no canto e na teoria da musical por mão do Mestre de Capela da Sé Patriarcal Augusto José de Carvalho.
Depois de diplomado e distinguido pelo Conservatório Real, onde entrara em 1895-96, parte para Leipzig em 1904, como pensionista do Estado, para se aperfeiçoar na sua arte, processo que se conclui a 10 de Abril de 1908, quando faz o seu 10º e último exame no Real Conservatório de Música de Leipzig, em provas públicas para director de orquestra e compositor.
Entretanto, não se limita a passar esses 4 anos na Alemanha, nem por lá permanece todos os que se lhe seguem, até regressar a Portugal. Assim, o seu primeiro concerto parece ter sido em Setembro de 1906 em Inglaterra (Cheltenham), onde volta no Outono imediato: desse tempo vi programas pelo menos de Bridlington, Hull e Leeds. Entrementes, a 8 de Março de 1907, adquire composições musicais em Moscovo. E depois, na época Primavera / Verão de 1908, após o êxito das suas provas finais em Leipzig, tenta a sorte musical em Londres, onde pretendia continuar, apurando-se e porventura, fazer um doutoramento.
A seguir, entre fins de 1908 e 1909 e sem nunca perder contacto com Leipzig, actuando só ou integrado em orquestra, viaja por Inglaterra. Em 1909, concertos em Horrogate e outra vez em Bridlington, na Áustria e na Rússia. Um dos borrões da ”Rapsódia Eslava” tem data de Ekaterinoslaw – 18 de Dezembro de 1908.
Dos seus passos entre 1911 e 1913, pouco alcancei: em Janeiro, Fevereiro e Maio de 1911, adquire partituras em Londres; um esboço de uma composição a que não deu nome, data-o novamente em Ekaterinoslaw a 2 de Janeiro de 1913; e em Março do mesmo ano compra músicas em Leipzig.
Se ao que fica dito se juntar uma ou outra fugaz vinda a Portugal para matar saudades da mãe, de quem sempre se mostrou filho extremoso ou para rever amigos e, quiçá, pugnar pelos seus direitos de bolseiro, contra oficiais do mesmo ofício e seus adversários activos, obviamente há-de concluir-se que, entre 1904 e 1913, a linha de existência de David de Souza foi cheia de sinuosidades, repartida por “franças e araganças” de grande parte da Europa.
Entretanto, a partir da segunda metade de 1913, é em Portugal que vem tentar a sua sorte, embora ainda a partir de aí se não feche para essa mesma Europa. Assim por exemplo, datado de 21 de Julho de 1913 e válido por um ano, o nosso cônsul-geral em Londres concede a David de Souza passaporte para a Rússia; e na verdade é que na “Musette”, esboço de uma composição própria, encontramos data de Agosto de 1913 e, sempre, de Ekaterinoslaw. Depois, na segunda quinzena de Setembro imediato, com duas horas de espera de ligações ferroviárias – de onde e para onde? – aproveita para de Paris, escrever um postalinho a sua mãe. Enfim, sabe-se que volta a actuar em Londres, ao menos em dois momentos mais: em 1914 e em 1917.
De qualquer modo, a partir daquele ano de 1913 assenta arraiais em Lisboa. Assim, depois do concerto de apresentação como violoncelista no Conservatório, realizado a 16 de Junho, e após uma curta digressão na província – o seu primeiro concerto público em Portugal dá-o aqui na Figueira, a 29 de Setembro – inicia a sua actividade como director de orquestra no Teatro Politeama no dia 7 de Dezembro, aí se mantendo em actividade em todas as épocas seguintes, com o último espectáculo a 3 de Maio de 1918. Além disso, a partir do ano lectivo de 1915-16, é também professor no Conservatório.
Entrementes, à província volta, por mais do que uma vez: Coimbra, Faro, Porto, Setúbal e Tavira, por exemplo, figuram no seu roteiro musical de então; e no Alentejo ou no Algarve, nas Beiras ou no Minho, recolhe apontamentos de música popular.
Naturalmente, a Figueira surge contemplada nessas digressões. A 24 de Setembro de 1914, por exemplo, uma carta informa-nos de que David de Souza então se acha instalado na Rua Bernardo Lopes, 66; e que, embora aborrecido pelo adiamento de um concerto projectado, ao amigo a quem escreve conta que “Tem chovido imenso, mas hoje está um dia lindíssimo”. E, a 11 de Setembro de 1917 no Grande Casino Peninsular, rege um concerto a favor da Assistência da Figueira às vítimas da guerra.
E é precisamente essa 1º Guerra Mundial que, á distância, vai matar ainda mais uns milhares de almas, até mesmo em Portugal. Não antecipemos porém.
A 19 de Agosto de 1918, em postal de Lisboa ao violinista Paulo Manso, conterrâneo e amigo, anuncia para o dia imediato a sua vinda para a Figueira, no comboio da noite, contando instalar-se no Hotel Mondego, que ficava entre a Rua 11 de Setembro e o cais, sensivelmente por esse lado fechando o actual Largo do Carvão. Mas, em Setembro imediato escrevendo a outro amigo, Alexandre Ferreira, sobre discussões em torno do contrato com o Politeama para a época de concertos que se avizinhava, já dá por morada o prédio nº 29 da Rua do Viso, aqui perto de mim, no Bairro Novo.
Entre a data da última carta referida – 20 de Setembro – e a da morte, tão próxima – 3 de Outubro – que voltas mais terá dado o artista? Terá ainda ido a Lisboa tratar pessoalmente com Luís António Pereira, o empresário, que o “intimara” a começar ensaios para a nova época do Politeama às 5 da tarde do último dia desse mês de Setembro? E por que se terá mudado da Rua do Viso para a casa onde veio a falecer, tão vizinhas uma da outra? Quem saberá?
(1) O presente texto, agora corrigido, foi publicado em primeira versão no semanário figueirense “O Dever”, em 16 de Janeiro de 1981.
4 Notas sobre David de Souza por José Pires Lopes de Azevedo (1923-2007) (professor, escritor)
III – Em memória de David de Souza (1)
A Figueira da Foz vai festejar o I Centenário do nascimento de David de Souza, que a 6 de Maio de 1880 nela se abriu para a vida, vida breve que também aqui tristemente se lhe acabou a 3 de Outubro de 1918.
No começo, de certo modo lhe sorriu a sorte: a vida familiar cedo se deslocou para Lisboa, possibilitando a David de Souza o florescer para a música, iniciando-se nessa arte aos 9 anos de idade. Concluídos os estudos no Real Conservatório com 23-24anos, parte então para a Alemanha (Leipzig), onde até 1908 se aperfeiçoa na sua arte com uma bolsa do Estado Português. Entretanto, e ainda depois, viaja pela Áustria, Inglaterra e Rússia, dando a conhecer a sua arte de violoncelista, de regente de orquestra e de compositor.
Porém, a partir dos 32-33 anos, é em Portugal que procura realizar-se. Em Lisboa, entre 1913 e 1918, ficaram famosos os seus concertos no Teatro Politeama. Famosos, não tanto pela polémica que suscitaram – havia concertos também no Teatro de S. Luiz, sob a batuta de Pedro Blanch – mas principalmente porque, através deles e pela primeira vez se ouviram em Portugal, obras famosas de compositores de todo o mundo de expressão europeia, desconhecidas à época nesta “pequena casa lusitana”.
Lembre-se que David de Souza organizou muitos concertos “monográficos”, de épocas, de países, de autores. Foi o caso dos festivais consagrados a compositores e composições dos séculos XVII, XVIII e XIX; ou a compositores das Nações Aliadas na Grande Guerra; ou dos festivais de música eslava ou francesa, assim como aqueles que dedicou a Beethoven ou Wagner.
Lembrem-se igualmente, primeiras audições de obras de compositores alemães, além dos já referidos, como J. S. Bach, Brahms, Haendel, Mayerbeer e Schumann; de franceses, como Berlioz, Chabrier, Debussy, Dukas, Lalo, Massenet e Saint-Saens; de russos, como Balakirev, Glazounov, Mussorgsky, Rachmaninov, Rimski-Korsakov, Skriabine e Tchaikovsky; e do belga César Franck, do norueguês Grieg, do polaco Paderewski, do checo Smetana ou do finlandês Sibelius.
Em abono da verdade, diga-se entretanto que David de Souza jamais deixou de homenagear também autores portugueses, escritores, executantes ou compositores.
Assim, por exemplo, apresentou música inspirada em Camões, Antero de Quental, António Nobre, Guerra Junqueiro, Henrique Lopes de Mendonça e do figueirense João de Barros.
Igualmente os executantes portugueses mereceram de David de Souza, ele próprio executante, a melhor atenção. E assim foi que, desde Dezembro de 1913 a Março do ano imediato, em menos de 3 meses portanto, fez a “sua” Orquestra Sinfónica passar de 75 para 90 figuras. Também, a 30 de Abril de 1916, deu um concerto em favor do cofre de subsídios da secção musical do Conservatório de Lisboa. Do mesmo modo, em Fevereiro de 1917 regeu na festa artística da sua própria Orquestra e a 18 do mês imediato, fez a festa de homenagem ao seu primeiro violino, Luiz Barbosa (2).
Por outro lado, frequentemente incluiu composições portuguesas nos concertos que deu, ajudando assim a exaltar personalidades como as de Azevedo e Silva, Luís Pinto, Venceslau Pinto, Flaviano Rodrigues, Luís de Freitas Branco e Ruy Coelho. Enfim, pela primeira vez fez ouvir entre nós um considerável número de partituras nacionais inéditas: como a “Marcha Camões” e o “Poema Sinfónico” do célebre portuense e político João Arroyo; as “Páginas Dispersas” de Joaquim Fão, regente de bandas militares e depois continuador de David de Souza no Politeama; as “Miniaturas” do alfacinha Augusto Machado; a “Efémera”, do médico olhanense José Maria de Pádua, fundador da primeira Tuna Académica de Lisboa; o poema sinfónico “Idílio Rústico”, composto sobre o conto de Trindade Coelho por José Gomes Ferreira de 17 anos, então repartido entre os estudos, os versos e a música; uma “Rêverie”, um “Scherzo” e uma “Serenata” de João Passos; ou os “Cantos do meu país” e as “Impressões musicais” de Tomaz de Lima, seu amigo, ambos professores do Conservatório.
A repousar de um ano de trabalho árduo e com o pensamento posto na época de concertos que se avizinhava, aqui perto, na Rua do Viso, passa David de Souza parte de Setembro de 1918. Quem então diria que o fim lhe estava tão próximo?
Vítima da gripe pneumónica, David Ascensão de Figueiredo e Souza, promissor violoncelista, esperançoso compositor e sobretudo maestro já em clara afirmação, no começo desse Outono sinistro, com apenas 38 anos de idade, morre na terra que fora também o seu berço.
Poderia dizer-se que da arte e pela arte viverá só o tempo da 1ª guerra mundial, que indirectamente o vitimava também.
A Figueira da Foz vai festejar o I Centenário do nascimento de David de Souza, que a 6 de Maio de 1880 nela se abriu para a vida, vida breve que também aqui tristemente se lhe acabou a 3 de Outubro de 1918.
No começo, de certo modo lhe sorriu a sorte: a vida familiar cedo se deslocou para Lisboa, possibilitando a David de Souza o florescer para a música, iniciando-se nessa arte aos 9 anos de idade. Concluídos os estudos no Real Conservatório com 23-24anos, parte então para a Alemanha (Leipzig), onde até 1908 se aperfeiçoa na sua arte com uma bolsa do Estado Português. Entretanto, e ainda depois, viaja pela Áustria, Inglaterra e Rússia, dando a conhecer a sua arte de violoncelista, de regente de orquestra e de compositor.
Porém, a partir dos 32-33 anos, é em Portugal que procura realizar-se. Em Lisboa, entre 1913 e 1918, ficaram famosos os seus concertos no Teatro Politeama. Famosos, não tanto pela polémica que suscitaram – havia concertos também no Teatro de S. Luiz, sob a batuta de Pedro Blanch – mas principalmente porque, através deles e pela primeira vez se ouviram em Portugal, obras famosas de compositores de todo o mundo de expressão europeia, desconhecidas à época nesta “pequena casa lusitana”.
Lembre-se que David de Souza organizou muitos concertos “monográficos”, de épocas, de países, de autores. Foi o caso dos festivais consagrados a compositores e composições dos séculos XVII, XVIII e XIX; ou a compositores das Nações Aliadas na Grande Guerra; ou dos festivais de música eslava ou francesa, assim como aqueles que dedicou a Beethoven ou Wagner.
Lembrem-se igualmente, primeiras audições de obras de compositores alemães, além dos já referidos, como J. S. Bach, Brahms, Haendel, Mayerbeer e Schumann; de franceses, como Berlioz, Chabrier, Debussy, Dukas, Lalo, Massenet e Saint-Saens; de russos, como Balakirev, Glazounov, Mussorgsky, Rachmaninov, Rimski-Korsakov, Skriabine e Tchaikovsky; e do belga César Franck, do norueguês Grieg, do polaco Paderewski, do checo Smetana ou do finlandês Sibelius.
Em abono da verdade, diga-se entretanto que David de Souza jamais deixou de homenagear também autores portugueses, escritores, executantes ou compositores.
Assim, por exemplo, apresentou música inspirada em Camões, Antero de Quental, António Nobre, Guerra Junqueiro, Henrique Lopes de Mendonça e do figueirense João de Barros.
Igualmente os executantes portugueses mereceram de David de Souza, ele próprio executante, a melhor atenção. E assim foi que, desde Dezembro de 1913 a Março do ano imediato, em menos de 3 meses portanto, fez a “sua” Orquestra Sinfónica passar de 75 para 90 figuras. Também, a 30 de Abril de 1916, deu um concerto em favor do cofre de subsídios da secção musical do Conservatório de Lisboa. Do mesmo modo, em Fevereiro de 1917 regeu na festa artística da sua própria Orquestra e a 18 do mês imediato, fez a festa de homenagem ao seu primeiro violino, Luiz Barbosa (2).
Por outro lado, frequentemente incluiu composições portuguesas nos concertos que deu, ajudando assim a exaltar personalidades como as de Azevedo e Silva, Luís Pinto, Venceslau Pinto, Flaviano Rodrigues, Luís de Freitas Branco e Ruy Coelho. Enfim, pela primeira vez fez ouvir entre nós um considerável número de partituras nacionais inéditas: como a “Marcha Camões” e o “Poema Sinfónico” do célebre portuense e político João Arroyo; as “Páginas Dispersas” de Joaquim Fão, regente de bandas militares e depois continuador de David de Souza no Politeama; as “Miniaturas” do alfacinha Augusto Machado; a “Efémera”, do médico olhanense José Maria de Pádua, fundador da primeira Tuna Académica de Lisboa; o poema sinfónico “Idílio Rústico”, composto sobre o conto de Trindade Coelho por José Gomes Ferreira de 17 anos, então repartido entre os estudos, os versos e a música; uma “Rêverie”, um “Scherzo” e uma “Serenata” de João Passos; ou os “Cantos do meu país” e as “Impressões musicais” de Tomaz de Lima, seu amigo, ambos professores do Conservatório.
A repousar de um ano de trabalho árduo e com o pensamento posto na época de concertos que se avizinhava, aqui perto, na Rua do Viso, passa David de Souza parte de Setembro de 1918. Quem então diria que o fim lhe estava tão próximo?
Vítima da gripe pneumónica, David Ascensão de Figueiredo e Souza, promissor violoncelista, esperançoso compositor e sobretudo maestro já em clara afirmação, no começo desse Outono sinistro, com apenas 38 anos de idade, morre na terra que fora também o seu berço.
Poderia dizer-se que da arte e pela arte viverá só o tempo da 1ª guerra mundial, que indirectamente o vitimava também.
(1) Parte do texto presente, agora corrigido, serviu de abertura ao Catálogo da Exposição de homenagem a David de Souza, inaugurada na Biblioteca Municipal a 6 de Maio de 1980.
(2) Pai do violinista Vasco Barbosa e da pianista Grazy Barbosa.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Chanson D'Automne - David de Souza
Ana Leonor Pereira - soprano
António Ferreira - piano
(do CD "Tout près de mon coeur")
Mazurka - David de Souza
Pedro Neves - violoncelo
António Ferreira - piano
(do CD "Tout près de mon coeur")
Lied - David de Souza
Pedro Neves - violoncelo
António Ferreira - piano
(do CD "Tout près de mon coeur")
Il Passato - David de Souza
Ana Leonor Pereira - soprano
António Ferreira - piano
(do CD "Tout près de mon coeur")
A Fiandeira - David de Souza
Ana Leonor Pereira - soprano
António Ferreira - piano
(do CD "Tout près de mon coeur")
David de Souza (1880-1918) - Biografia
Nascido a 6 de Maio de 1880 na Figueira da Foz, David de Souza, violoncelista, maestro e compositor, realizou os seus estudos musicais no Conservatório Nacional, instituição onde frequentou a classe de violoncelo de Eduardo Wagner e de Cunha e Silva e a de teoria musical de Freitas Gazul.
Em 1904, como bolseiro do estado português, David de Souza parte para Leipzig, onde vai estudar com um dos mais famosos violoncelistas da época: Julius Klengel.
De regresso a Portugal, o nosso jovem músico estreia-se como chefe de orquestra em 1913 num concerto realizado no Teatro Nacional D. Maria. Pouco depois é contratado para Maestro Titular da Orquestra Sinfónica Portuguesa, formada nessa altura e instalada no Politiema.
Com temperamento fogoso, dotes histriónicos e grande poder de comunicação com o público, David de Souza conquistou vários admiradores. Do seu vasto reportório destacam-se as inúmeras obras modernas que interpretou pela primeira vez em Portugal, como por exemplo: a 2ª Sinfonia de Vincent D’Indy, as “Valsas Nobres e Sentimentais” de Maurice Ravel ou o Poema Sinfónico de Luís de Freitas Branco “Depois de uma leitura de Antero de Quental”. Apaixonado pela música russa, revelou igualmente ao público português, inúmeras obras de compositores daquele país.
Em 1916 David de Souza é nomeado professor de violoncelo e de orquestra do Conservatório Nacional, mantendo paralelamente o cargo de Maestro Titular da Orquestra Sinfónica Portuguesa.
Na sua obra, eminentemente nacionalista, figuram composições para piano solo, canto e piano, violino e piano e para violoncelo e piano, para além de um bom número de obras para grande orquestra de onde se destacam a “Rapsódia Eslava” e o Poema Sinfónico “Babilónia”, David de Souza deixou-nos ainda uma ópera que continua inédita: “Inês de Castro.”
David de Souza faleceu a 3 de Outubro de 1918 na Figueira da Foz, vítima de febre pneumónica.
Em 1904, como bolseiro do estado português, David de Souza parte para Leipzig, onde vai estudar com um dos mais famosos violoncelistas da época: Julius Klengel.
De regresso a Portugal, o nosso jovem músico estreia-se como chefe de orquestra em 1913 num concerto realizado no Teatro Nacional D. Maria. Pouco depois é contratado para Maestro Titular da Orquestra Sinfónica Portuguesa, formada nessa altura e instalada no Politiema.
Com temperamento fogoso, dotes histriónicos e grande poder de comunicação com o público, David de Souza conquistou vários admiradores. Do seu vasto reportório destacam-se as inúmeras obras modernas que interpretou pela primeira vez em Portugal, como por exemplo: a 2ª Sinfonia de Vincent D’Indy, as “Valsas Nobres e Sentimentais” de Maurice Ravel ou o Poema Sinfónico de Luís de Freitas Branco “Depois de uma leitura de Antero de Quental”. Apaixonado pela música russa, revelou igualmente ao público português, inúmeras obras de compositores daquele país.
Em 1916 David de Souza é nomeado professor de violoncelo e de orquestra do Conservatório Nacional, mantendo paralelamente o cargo de Maestro Titular da Orquestra Sinfónica Portuguesa.
Na sua obra, eminentemente nacionalista, figuram composições para piano solo, canto e piano, violino e piano e para violoncelo e piano, para além de um bom número de obras para grande orquestra de onde se destacam a “Rapsódia Eslava” e o Poema Sinfónico “Babilónia”, David de Souza deixou-nos ainda uma ópera que continua inédita: “Inês de Castro.”
David de Souza faleceu a 3 de Outubro de 1918 na Figueira da Foz, vítima de febre pneumónica.
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